Folhas em branco sempre me tocaram. Escrever, desenhar, pensar, rabiscar, canalizar.
Vivi meus 37 anos para morrer em meio a total loucura que sempre acreditei ser o melhor caminho. O livre, o sem regras, o desafiador, o insensato pela beleza do raro.
Não... não falo de arrependimentos, culpas ou qualquer sintoma de falso moralismo. Longe disso. Apenas olho o horizonte e percebo o quanto corri e patinei por achar o caos digno de reverência. Fiz as próprias regras e cultuei o combate sem soldados, mirmidões, guerreiros, reis, poder, Aquiles ou Agamenon.
Combati com retalhos próprios uma luta sem vencedores.
Encontrei o amor, o ódio, o apego, a caridade, a resilência e a destruição. Julguei minha inteligência superior quando metade era incoerência... e a outra metade, arrogância.
Precisei não ter o que quis desesperadamente para começar a entender o quanto a vida é breve e quão insignificante as vontades podem ser num cenário muito maior. Os sonhos que sempre me moveram estão em profunda transformação para uma toca não tão profunda... sem chapeleiros, rainhas ou gatos sorridentes.
A realidade pode ser bela... ou não. Mas é palpável. E justo eu, uma indisciplinada descrente ouvi a frase que me deixara sem dormir, ruminando há dias: inteligência pode te levar a algum lugar... porém inteligência aliada à disciplina abre as portas do universo!
De repente o véu se desfez, Isis sorriu. E senti a ignorância percorrendo cada centímetro do pleonasmo da burrice! A disciplina nunca comoveu. Ou encantou. Ou revolucionou. Mas definiu caminhos, metas, objetivos e os conquistou!
Entendi as centenas de projetos inacabados, círculos nunca fechados, tudo a terminar. Entendi meus sonhos abandonados em meio a outros sonhos num galgar da escada em caracol sem fim. Entendi que sou começo ou, no máximo meio... mas nunca fim. Entendi que olho pela fechadura, mas nunca tive a capacidade de girar a chave por achar que desvendava o que via sem adentrar.
Entendi que sofro cada derrota por não continuar.
E que tenho mais facetas do que julguei saber.