sábado, 21 de setembro de 2013


Elena (com E mesmo!) estava encarando as ervilhas do seu prato, bem ali, ao lado da carne e do purê de batatas, quando entendeu onde começou a errar.
A vida lhe sufocava, prendia, sugava, e o que antes era prazer, transformava-a em insanidade.

Tinha a vida quase perfeita e odiava cada centímetro dela.
Um leve rubor corou sua face e, disfarçadamente, levantou da mesa, pegou suas chaves e saiu.
Deixou a vida tão sonhada no bater da porta... bem ao lado do seu pé de romã.
Andou por horas, sem destino, sem pensar, sem nada. Sentia as pernas cansadas, mas isso não importava.
Nada mais importava.
Ela queria apenas andar. Foi depois de horas que deparou- se com a minúscula livraria e não resistiu.
Lentamente, entre as estantes, passava as mãos pelos livros empoeirados: velhos conhecidos, novidades, os que nunca se interessara antes.... e pegou um.
Puro deleite de sentar- se ao chão, sem hora, sem pressa, e cheirou cada milímetro da sua nova felicidade.
Memórias que guardam cheiros são as mais teimosas....
E, sem demora, leu a primeira linha...
( Trecho de O Codinome. Patrícia Váró, 2013).

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